A Linguagem Diabólica

Práticas para O Tremor Magnífico

Este trabalho é guiado pelas pesquisas de criação que compõem o repertório de Carolina Bianchi como diretora, autora e performer, especialmente no que tange a sua peça O Tremor Magnífico.
   O diabo é conhecido como “o que vem das trevas”, do escuro. Nos encontros tentamos dar voz, palavra, corpo, imagem ao escuro que está em nós. Buscamos adentrar nossa noite interna (eterna?), os buracos do espaço e da pele, nos ocultar na linguagem, desaparecer em um ato lubrificado. Fundir-nos sem nos fundir. Encontrar tecidos espectrais, a melodia dos ossos, ouvir os sons que estão dentro das matérias. Resignificar, construir (e também destruir?) narrativas velhas em peito novo. Metamorfosear a palavra obsoleta em músculo, em metal.
   Exercícios de imaginação para ir reconstruir paisagens de irrealidade: “... o lugar além dos confins, ao mesmo tempo amaldiçoado e encantado.”
   O interesse por essa figura mitológica do Diabo e seus significados, muito estudada na história da arte e da pintura, deve estar ligado a uma busca pelo significado de certos sentimentos incontroláveis, à consciência pessoal, transbordamentos do espírito, um possível retorno à origem do que é humano. Diante de um mundo que perde significados vitais, o imaginário, os sistemas do invisível, as metafísicas da paixão, os encontros silenciosos são como verdadeiros tesouros para habitar o presente.
 
Essa residência ocorreu no estúdio Fita Crepe (SP), Sesc Santana (SP), Espaço Montagem (RJ) e Festival de Teatro Internacional de Havana - CUBA.


 

ensaio

O TREMOR MAGNÍFICO

Mayra Azzi

Carolina Bianchi Y Cara de Cavalo | São Paulo, Brasil 2020

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